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Grupo da FTO é Premiado no FETACAM 2009

Outubro 5, 2009
Foto de Mariana Matias

Foto de Mariana Matias

A Peça – processo “Café Quente em Noite Fria ou a Lenda do Ouro Verde” do Grupo Caos e Acaso de Teatro, ganhou o Prêmio especial do Júri: “Pesquisa e Execução Musical”, no Festival Nacional de Teatro de Campo Mourão, o FETACAM 2009, no último dia 03 de outubro.

Segundo os Jurados, o prêmio: “foi uma maneira de contemplar o trabalho coletivo do Grupo e qualidade das canções” – comentaram.

Na peça “Café Quente…” as músicas assumem uma perspectiva brechtiana, narrativa, onde têm múltiplas funções como: a de facilitar a compreensão do texto, ou re-interpretá-lo, ora pressupô-lo. Em suma: de assumir uma posição e revelar um comportamento.

Este é o segundo Festival “formal” que o Grupo participa (O primeiro, foi Festival Internacional de Teatro de Londrina, o FILO -2009, no qual se deu a estréia da espetáculo) desde sua re-formulação em 2004. Desde lá, o Grupo vem de dedicando aos trabalhos relacionados à formação e democratização dos meios de produção Cultural, tais como: Formação de Grupos Populares, a Realização da Mostra Nacional de TO e a efetivação e Consolidação da Vila Cultural Casa do Teatro do Oprimido, entre outros.

Além da premiação “Café Quente…” recebeu as indicações
Melhor Texto (Roberto Sales*),
Melhor atriz (Nádia Burk) e
melhor figurino (O grupo).

O Espetáculo estará em cartaz em Londrina na Semana SESC de Artes Cênicas, de 28 a desde mês.

Participação do Grupo Oficina de TO no Ato Público do Trabalho contra o Capital

Setembro 16, 2009
video sobre o ato realizado em Londrina- PR, no Dia Nacional da Luta contra a Crise Econômica – Manifesto do Trabalho contra o Capital. Participação do Grupo Oficina de Teatro do Oprimido (OTO), com a peça de Teatro-Jornal “Valor de Troca”.

 

VI Mostra de Teatro do Oprimido de Londrina 2009

Setembro 15, 2009
GTO Revolução Teatral (Santo André SP) "Onde foi que eu errei?" na V Mostra de TO de Londrina

GTO Revolução Teatral (Santo André SP) "Onde foi que eu errei?" na V Mostra de TO de Londrina

É com muita satisfação que abrimos as portas da VI Mostra Nacional de Teatro do Oprimido, que acontecerá no período de 12 a 15 de Novembro, na cidade de Londrina, Paraná, Brasil; cujo eixo temático central será: “De Boal a Brecht… De Brecht a Boal, Em Busca de Um Teatro Dialético”.

 A VI Mostra Nacional de Teatro do Oprimido tem como objetivo reunir Grupos, Coletivos, Organizações e Agentes Culturais que utilizam a arte enquanto ferramenta de transformação da sociedade atual; para intercambiarem metodologias de trabalho e de atuação. Nasce em 2004, a partir de uma ação dos Grupos Populares de Teatro do Oprimido de Londrina, formados através do Projeto “Teatro e Transformação Social”, com objetivo de garantir na cidade de Londrina um espaço social para a divulgação e reflexão sobre seus processos artístico-sociais. Em cinco anos transformou-se de evento local em atividade nacional e, cada vez mais, busca tornar-se um espaço – esteticamente produtivo e socialmente relevante – no cenário histórico e cultural, no Brasil e toda a América Latina

 É indiscutível que o atual contexto no qual se encontra o T.O é de profundo abalo ocasionado pela morte de Augusto Boal. E não por acaso, pois com Boal o teatro se transformou em “arma” de luta contra a opressão, em “meio” e não em “fim”, em síntese, o teatro com Boal volta-se ao homem real.

 Por Outro Lado, a atual crise do capital, que assola estruturalmente as classes subalternas de todo o mundo e tenta – mais uma vez – restringir suas formas associativas, seja no plano político-sindical, seja em outros aspectos de sua organicidade (inclusive no plano da produção cultural) pela sua integração e submissão à ordem do capital; acreditamos que os pressupostos brechtianos sejam cada vez mais necessários para a nossa práxis, estética e extra-estética, mostrando-se atuais e até urgentes. 

 

Assim, acreditamos que a melhor forma de homenagearmos Boal é dando continuidade ao seu trabalho, sobretudo, no que tange à relação de seu “método” (O Teatro do Oprimido) com a realidade social, que é onde a prática se efetiva concretamente. Nesse sentido, a VI Mostra de Teatro do Oprimido de Londrina pretende refletir sobre as contribuições de Augusto Boal e Bertolt Brecht, no atual contexto histórico em que vivemos; ao mesmo tempo, nos questionarmos sobre quais são as contribuições da arte para a Transformação Social Histórico-Concreta. Ou Seja: “De onde viemos, Para aonde vamos?” e principalmente “Que Tempo Histórico é nosso Presente?”

 

Deste modo, CONVIDAMOS para a VI Mostra de Teatro do Oprimido coletivos teatrais, movimentos sociais, organizações não-governamentais, arte-educadores/as, pesquisadores/as e todos/as aqueles/as interessados/as em discutir a nossa sociedade atual, a partir de uma perspectiva estético-politica e histórico-social com fulcro no trabalho, e, “para além do capital”

 

Acreditamos que é impossível (re)pensar a “obra” destes dois “homens de teatro” sem (re)pensar alguns aspectos estruturais de nossa atual sociedade, que ainda é capitalista, cujos alicerces se constituem a partir da exploração do trabalho, na divisão da sociedade em classes, na propriedade privada dos meios de produção, no aparelho de Estado. E, nessa sociabilidade alienada, assistimos à crescente transformação da cultura em mercadoria e da mercadoria em cultura. Neste contexto, acreditamos que o diálogo entre Boal e Brecht é imprescindível para todo/a artista que se posicione à contra-mão da forma-mercadoria. Refletir sobre Boal e Brecht significa reavivar a chama de luta do teatro enquanto produção e atividade humana conectada com a história concreta; e não podemos negar que a história – “há muito tempo” – vem sendo uma história de luta, sobretudo, luta de classes.

 

Equipe da Fábrica de Teatro do Oprimido

 

Londrina, 3 de agosto de 2009.

Vilas Culturais Realizam oficinas de Teatro do Oprimido em Londrina

Setembro 15, 2009
Folder das Atividades

Folder das Atividades

A Vilas Culturais Brasil e Casa do Teatro do Oprimido estão realizando conjutamente desde o dia dia 12 de setembro, oficinas gratuitas de Teatro do Oprimido.

Os cursos que terão duração de dois meses estão sendo coordenados pelos multiplicadores  Thiago Patrocinio (Vila Brasil) e Marcelo Bezerra (Casa do TO) . Os Cursos acontecem todos os sábados das 9h às 12h nas sedes da Vila Cultural Brasil, localizada na Rua Uruguai 1656, na Vila Brasil; e Na  Casa do Teatro do Oprimido, Rua Benjaim Contant 1337. Centro

As inscrições ainda encontram-se abertas e podem ser realizadas nos Locais.

(ver folder em anexo)

O Teatro do Oprimido (TO) é um método teatral, criado na década de 60 pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal que reúne exercícios, jogos e técnicas teatrais elaboradas. Os seus principais objetivos são a democratização dos meios de produção teatrais, o acesso das camadas sociais menos favorecidas e a transformação da realidade através do diálogo.

De acordo com o Multiplicador, Thiago Patrocínio, os cursos tem o objetivo de apresentar as principais técnicas TO que é representado por personagem que luta para transformar a realidade. Entre as técnicas a serem ensinadas estão o teatro-fórum e o teatro-jornal.

Segundo o Multiplicador, no teatro-fórum os participantes encenarão duas ou mais cenas baseadas na suas experiências pessoais. “É onde ocorre a encenação de um problema real. Onde os espectadores são convidados a entrar em cena, substituir o personagem oprimido na cena e, através da improvisação, apresentar alternativas que mudem o rumo dos acontecimentos” explicou.

Já o teatro-jornal, conforme Thiago Patrocínio, é quando os participantes encenam duas ou mais cenas baseadas em leitura e análise de noticias de jornais. “Consiste na escolha de uma determinada notícia, publicada no meio impresso, que é discutida pelo grupo, procurando deste modo verificar quais os pontos que eventualmente sofreram censura, quais os interesses por detrás da informação ali contida, como as pessoas descreveriam o fato, etc.”

As inscrições para a oficina do Teatro do Oprimido podem ser feitas pelo telefone 3324 8056.  (Viola Cultural Brasil) e 3324-9121 Vila Cultural Casa do Teatro do Oprimido.

As Vilas Culturais Brasil  e Casa do Teatro do Oprimido fazem parte do Programa Vilas Culturais que compõem Programa Municipal de Incentivo a Cultura – Promic, da Prefeitura de Londrina.

Teatro do Oprimido inicia curso de dança na segunda – Nota que foi publicada no Jornal On Line n.com – Prefeitura de Londrina

Abril 12, 2009

Vila Cultural será um dos seis locais que o projeto “Dançando na Rede” será realizado na cidade durante este ano; iniciativa recebe incentivo do Promic

Da Redação
n.com@sercomtel.com.br

A Vila Cultural Teatro do Oprimido realiza, em parceria com o projeto “Dançando na Rede”, uma oficina de dança com interessados que residem na região central do município. A primeira aula será realizada nesta segunda-feira (dia 30), e as inscrições ainda estão abertas. Elas podem ser feitas, gratuitamente, na própria vila, que fica na rua Benjamin Constant, nº 1.337, no centro de Londrina, das 14h às 18h. “No ano passado o nosso espaço foi utilizado pelo projeto algumas vezes e a comunidade gostou muito. Por isso, resolvemos trazer a iniciativa para a vila cultural, tornando o espaço como ponto fixo das aulas de dança”, explicou a coordenadora do Teatro do Oprimido, Nádia Burk.
 
De acordo com a coordenadora do projeto “Dançando na Rede” e professora das aulas, Maria Helena Curotto Martins, a oficina ocorrerá entre os meses de abril e novembro na vila cultural, todas as segundas-feiras, das 19h às 22h. “O local é um dois seis pontos que realizamos a iniciativa no município. São abordadas nas aulas, questões técnicas que abrangem vários estilos de dança, como forró, tango, samba, salsa, lundu, entre outros”, explicou.

Além da dança, conforme ela, o curso oferecerá aos participantes noções básicas de iniciação ao teatro. “Para que os alunos fiquem desinibidos, optamos por darmos esta parte teatral no curso. Com isso, as duas vertentes vão ser mútuas e ajudarão no desempenho dos participantes em relação aos estilos de dança apresentados”, comentou.

Maria Helena informou que ela e mais o professor de dança Silvio Silva serão os responsáveis pelas aulas de dança. “Já a parte de iniciação ao teatro será ministrada pelo professor Josimar Lucas, que integra os trabalhos da Vila Cultural Teatro do Oprimido”, completou. Ela disse que serão dadas, neste segmento teatral, noções de jogos dramáticos, improvisação, postura cênica, expressão corporal, entre outras. “São questões que auxiliam tanto no teatro quanto na dança”, citou.

A Vila Cultural Teatro do Oprimido integra o projeto “Vilas Culturais”, da Secretaria Municipal de Cultura. Já o projeto “Dançando na Rede” recebe cerca de R$ 18 mil do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), da Prefeitura de Londrina. A iniciativa, de acordo com Maria Helena, é realizada no município desde 2007, e atende diversos pontos de todas as regiões de Londrina. “É um projeto de dança que abrange pessoas de qualquer idade e classe social”, ressaltou.  
(Londrina, 27 de março de 2009)

Notas 2009 – Boca a Boca – Folha de Londrina

Abril 12, 2009

Teatro do Oprimido

A exposição fotográfica ”Teatro e Transformação/4 anos” está em cartaz na Biblioteca Pública de Londrina (Av. Rio de Janeiro, 413) reunindo imagens que contam a trajetória na cidade da Fábrica de Teatro do Oprimido, criada há 4 anos com o objetivo de difundir as ideias do teatrólogo Augusto Boal (criador do Teatro do Oprimido) através da formação de grupos populares de teatro e participação em projetos de inclusão cultural. A exposição pode ser visitada de segunda a sexta, das 8h às 19h; e aos sábados, das 8h às 13h.

Nota Publicada na Folha de Londrina em 17/03/2009

Teatro do Oprimido

Estão abertas as inscrições para a ”Oficina de Teatro do Oprimido”, na vila cultural Casa do Teatro do Oprimido, em Londrina. O curso é direcionado para agentes sociais, agentes culturais, professores e comunidade em geral. A oficina, gratuita, começa dia 21 de março e segue até 25 de abril. As aulas serão realizadas aos sábados, das 9h30 às 12h. As inscrições devem ser feitas na vila cultural Casa do Teatro do Oprimido (R. Benjamim Contant 1.337, Centro.), das 14h às 17h. Mais informações pelo tel. (43) 3324-9121 e 9115-4830 (Nádia Burk) e no blog www.ftolondrina.blogspot.com.

nota publicada na Folha de Londrina. 11/03/2008

Casa do TO e dança de Salão

Março 31, 2009

A Vila Cultural Teatro do Oprimido realiza, em parceria com o projeto “Dançando na Rede”, uma oficina de dança com interessados que residem na região central do município. A primeira aula será realizada nesta segunda-feira (30), e as inscrições ainda estão abertas. Podem ser feitas, gratuitamente, na própria vila, que fica na rua Benjamin Constant, nº 1.337, no centro de Londrina, das 14h às 18h. “No ano passado o nosso espaço foi utilizado pelo projeto algumas vezes e a comunidade gostou muito. Por isso, resolvemos trazer a iniciativa para a vila cultural, tornando o espaço como ponto fixo das aulas de dança”, explicou a coordenadora do Teatro do Oprimido, Nádia Burk.

 

De acordo com a coordenadora do projeto “Dançando na Rede” e professora das aulas, Maria Helena Curotto Martins, a oficina ocorrerá entre os meses de abril e novembro na vila cultural, todas as segundas-feiras, das 19h às 22h. “O local é um dois seis pontos que realizamos a iniciativa no município. São abordadas nas aulas, questões técnicas que abrangem vários estilos de dança, como forró, tango, samba, salsa, lundu, entre outros”, explicou.

 

Além da dança, conforme ela, o curso oferecerá aos participantes noções básicas de iniciação ao teatro. “Para que os alunos fiquem desinibidos, optamos por darmos esta parte teatral no curso. Com isso, as duas vertentes vão ser mútuas e ajudarão no desempenho dos participantes em relação aos estilos de dança apresentados”, comentou.

 

Maria Helena informou que ela e mais o professor de dança Silvio Silva serão os responsáveis pelas aulas de dança. “Já a parte de iniciação ao teatro será ministrada pelo professor Josimar Lucas, que integra os trabalhos da Vila Cultural Teatro do Oprimido”, completou. Ela disse que serão dadas, neste segmento teatral, noções de jogos dramáticos, improvisação, postura cênica, expressão corporal, entre outras. “São questões que auxiliam tanto no teatro quanto na dança”, citou.

 

A Vila Cultural Teatro do Oprimido integra o projeto “Vilas Culturais”, da Secretaria Municipal de Cultura. Já o projeto “Dançando na Rede” recebe cerca de R$ 18 mil do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), da Prefeitura de Londrina. A iniciativa, de acordo com Maria Helena, é realizada no município desde 2007, e atende diversos pontos de todas as regiões de Londrina. “É um projeto de dança que abrange pessoas de qualquer idade e classe social”, ressaltou.

 

(Com informações da Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Londrina)

FONTE: Agência Londrix

PENSAR O TEATRO NO TEMPO DO ESPETÁCULO

Janeiro 18, 2009

Texto de Kiu Abreu

Há dois eixos – não únicos, mas fundamentais – a partir dos quais podemos pensar a reverberação do pensamento no teatro brasileiro contemporâneo: o da criação e o da apreciação crítica, ambos carregando os impasses próprios e os vícios que evidentemente não se sedimentaram de ontem para hoje, mas vêm se cristalizando há tempos.

O lugar do teatro hegemônico, como é óbvio, continua a ser ocupado pela fantasia voyeurista da vida privada, nas formas em que se tenta fazer cumprir a arquitetura do drama burguês e as suas variações, que raras vezes conseguem simular de fato as contradições de um tecido social que não cola facilmente às superfícies pretendidas do objeto representado. Este teatro, ainda que bem vivo no capítulo dos dividendos financeiros, está artisticamente morto, e pouco interessa, a não ser como um testemunho, entre outros, da miséria intelectual que vivemos.  

A cena que interessa, que tem vitalidade e está descrevendo, deliberadamen- te ou não, as formas complexas da sociabilidade no Brasil atual, é coberta por um arco amplo e desarmônico, que vai das intervenções renovadas da tradição do teatro político às experiências que encontram formas novas nos temas do cotidiano e da subjetividade.

Independentemente do grau de aderência a um discurso mais ou menos engajado, o fato é que em qualquer dessas coordenadas estéticas o fazer teatral está assimilado como forma-mercadoria, quase sempre tentando ganhar espaço no amplo espectro de soluções espetaculares a serem rendidas pelo capital. E é nesta perspectiva da produção artística que tanto o ato criativo quanto a crítica tendem a se distanciar da vida ordinária e a considerar irrelevantes os informes a respeito das condições históricas da obra de arte e do discurso analítico que a aprecia.

A lógica reificante que articula o sistema dispensa a verticalidade do pensamento. No plano artístico, o substitui pelo mito da técnica e dos formalismos de toda ordem, em procedimentos estetizantes que celebram a gratuidade do fazer e o jogo abstrato das formas. No plano crítico, reforça a idéia de que os produtos da cultura, autonomizados, têm um fim em si mesmos, e sua interpretação pouco depende “do processo vital e real da sociedade”, do qual se mantém apartada.

Não à toa a crítica está confinada em espaços institucionais que estão dispensando o discurso propriamente crítico, em operações que cada vez mais reduzem suas categorias, como o juízo de valor, a instrumentos que renunciam totalmente à argumentação, ao contraste, ao debate de idéias, e sobretudo à visada ampla da produção. Então a totalização crítica dos fragmentos diversos que compõem a vida teatral e o cotejamento com as suas motivações estruturantes são uma urgência, assim como a busca por canais alternativos de interlocução.  

No ambiente artístico muitos desses canais estão sendo inventados ou retomados. Por exemplo, na discussão direta dos grupos de teatro com suas platéias, na organização de seminários e de atividades extra-artísticas, na maneira organizada como as entidades de classe vêm forçando os governos a assumir políticas públicas mais avançadas, na circulação de informativos, na abertura e compartilhamento dos processos de criação, nos espaços abertos em sítios virtuais, etc.

Se a cultura só é verdadeira quando implicitamente crítica, como quer Adorno, não é tarefa fácil revelar o teor de verdade que o teatro brasileiro pode oferecer aos brasileiros de hoje. Não é fácil, mas é a tarefa.  

Teatro e Mercadoria

Janeiro 18, 2009
Continuando nossa pesquisa , publicamos abaixo um texto de José Fernado Peixoto de Azevedo
Publicado originalmente no site Cultura e Mercado

A Desnecessidade do Teatro

Por José Fernando Peixoto de Azevedo

O teatro tem muitas especificidades, como qualquer outra atividade terá as suas. No caso, talvez a mais significativa delas seja o fato de que o produto teatral não é separável do ato de produzir. Diante de seu público, o ator é um artista; mas se está subordinado a um empresário, será um trabalhador produtivo. Como artista, sua produção é imaterial, embora possa, num segundo momento, reduzir-se a um bem de consumo. Transformado num trabalhador produtivo, o ator será também um produtor de mais-valia.
Teatro como mercadoria – Grosso modo, um operário, ao colocar à disposição sua força de trabalho, está vendendo-a, em princípio, por um valor que lhe garantiria uma quantidade média de artigos de primeira necessidade à sua vida. Assim, se para tanto será necessário trabalhar 4 horas, e se essas 4 horas equivalem a um preço de R$ 40,00 diários, esse será o valor de sua força de trabalho, seu salário. Ora, aquele que compra a força de trabalho do operário, compra o direito de usar e consumir essa mercadoria. Usá-la significa, no caso, fazer trabalhar. É preciso que essa força de trabalho funcione durante todo um dia de trabalho. Se por um lado o seu valor tem a ver com sua necessidade, por outro, o seu uso terá a ver com sua força ou capacidade de trabalho. Do ponto de vista de quem usa, 4 horas não correspondem às suas “necessidades” – as do lucro -, pois não esgotam a força de trabalho comprada – embora, do ponto de vista daquele que a coloca à disposição, pudessem ser suficientes para a sua sobrevivência. Ao comprar a força de trabalho, o capitalista, agora seu dono, adquiriu o direito de usá-la por todo um dia, que pode corresponder a 8 horas de trabalho.
Desse modo, todo o valor produzido, para além daquelas 4 horas inicialmente necessárias são propriedade do capitalista, dono pro tempore de sua força de trabalho. O capitalista então realizou diariamente R$ 80,00 do que teve de desembolsar R$ 40,00. O excedente é a mais-valia, pelo qual nada teve de pagar. Aquilo que o operário produziu nas 4 horas adicionais saiu de graça para o capitalista. Essa troca desigual faz que o operário se reproduza como operário, garantindo ao capitalista sua reprodução como capitalista.
Logo se vê que estar “dentro” ou “fora” do sistema pode ser uma escolha, mas também e quase sempre, uma ilusão. Trata-se de saber como a atividade teatral se reproduz, e em quais condições. Considerada a figura do empresário e o modelo tradicional da Cia., será preciso definir em que medida o Grupo Teatral se apresenta como alternativa e, principalmente, em que medida sua dinâmica significa a eliminação das figuras do empresário e do assalariado eventuais. Nesse caso, não haveria a subordinação do artista, como produtor de mercadorias, àquele que com tanto obteria o lucro. Mas então ficaria a pergunta: em que circunstâncias o teatro não se apresenta como mais uma mercadoria a ser comprada?
A depender da perspectiva, poderíamos formular a questão nos seguintes termos: o teatro se realiza como atividade consumada no momento mesmo em que é consumido. Pelos extremos: claro que uma encenação de Brecht, por um Grupo decididamente brechtiano, no Brasil, colocará em outra chave essas questões. Isso é bem diferente de uma encenação de um musical americano, com elenco remunerado e subordinado às normas do trabalho empresarial. Mas não bastará constatar tais diferenças se a mera constatação não forja uma política de trabalho.
Viabilização do teatro – Mas quem viabiliza aquela encenação de Brecht? A definição do teatro como sendo atividade cuja efetivação faz coincidir produto e ato de produzir, incide sobre a relação, a mais complexa, entre palco e platéia. Uma pergunta atual e difícil seria: o que está acontecendo com essa relação hoje? O teatro sabe quem é seu público? Se o sabe, como o sabe? Se na prática, essa relação com o público é mediada pelo o ingresso e seu preço – por assim dizer definindo o sentido social do teatro -, trata-se de saber se este é o portador do lucro ou o portador de uma política alternativa. A exigência então é a de definir os “parceiros”.
O teatro, tudo indica, está condenado à convivência com formas de cooptação que a bem da verdade se traduzem em formas de sobrevivência. Mas o teatro tem sua história e sua realidade próprias. O tempo de formação de um ator ou de um dramaturgo exigem, antes de mais nada, que o teatro seja também esse lugar de formação. Formação nem sempre se confunde com “profissionalização”, sobretudo quanto esta se reduz à inserção em mercado (efetiva?). O que não se trata de uma visão utópica. Visto desse ângulo, o teatro reavalia sua relação com o público, pois passa a ver o processo de maneira integrada. Isso exige que sua política seja clara, o que não se pode reduzir a um discurso, mas antes significa reinventar o próprio teatro: trata-se de definir os seus meios e como utilizá-los.
Se o grupo é visto como um agrupamento de interesses que pressupõe uma certa unidade, e se para tanto se exige o abandono do provisório e do descartável como propulsores do trabalho, então a questão sobre os meios de produção passa a ser fundamental. Ora, como viabilizar um espetáculo? Desde a conquista de um espaço até sua viabilização cênica e pública, desenham-se os descaminhos da experiência cotidiana do teatro no Brasil. É evidente, a escolha não será apenas econômica, mas determinará a economia da cena. A pergunta “como” implica a escolha de seus meios, desde o texto a ser encenado até a política de signos a ser implementada.
Teatro como produto de consumo – No Brasil, a arte, e o teatro em particular, são objetos de Lei – de incentivo, é claro. Incentiva-se o empresário a aderir à arte, que é vista como depositária social do lucro. Neste caso, a arte justifica o lucro, como garantia de um retorno – imaginário? – à sociedade – qual sociedade? -, sem prejuízo das condições em que o trato se dê. Ora, pergunta-se pelo papel do Estado como agente mediador e mesmo propulsor de uma produção “reconhecidamente social”. O que não se pergunta é qual Estado se apresenta como tal mediador. Nesse sentido, toda arte com o selo da “Lei” poderá ser utilizada como arte de propaganda. Assim, diversidade passa a ser produto de consumo. Não é possível separar o problema da produção daquele que diz respeito às condições de produção. Não se quer com isso reduzir tudo aos problemas econômicos, mas reconhecer que cada escolha, para ser conseqüente, implica um domínio dos meios.

Histórico: Grupos Populares – LTO

Janeiro 17, 2009
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